❝ Citação
O que um filósofo procura e tenta ensinar é algo «grande, supremo e quase divino». É uma serena firmeza da mente, uma tranquilidade, na qual a mente procura seguir um rumo constante, permanecendo num estado de equilíbrio. Mas isto não é a tranquilidade de Lucrécio e Epicuro, com a sua crença materialista na mortalidade da alma. Para os estoicos, como Séneca, Epicteto e Marco Aurélio, o ser humano é um composto de alma e corpo no qual a morte representa a separação entre ambos. Mas embora o estoicismo influencie o cristianismo, esta noção da alma não é cristã. A alma, para os estoicos, é «sopro divino» que se manifesta na nossa racionalidade, à qual também se chama «princípio regulador». Esta alma racional é parte de uma alma mundo que é divina. Assim, e de acordo com uma imagem muito usada pelos estoicos e que vimos atrás com Crisipo, a alma individual é o microcosmo do macrocosmo animado e divino. No momento da morte, é a este macrocosmo que regressamos, a esta substância universal e, em última instância, divina.
Trecho de Simon Critchley em O livro dos filósofos mortos, publicado pela Edições 70 em 2020.
