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O avesso do avesso
O texto critica uma fala presidencial sobre meta de inflação e desemprego, dizendo que ela revela desconhecimento dos fundamentos da macroeconomia. Retoma a antiga ideia de troca estável entre inflação e desemprego, mas afirma que esse quadro foi superado por trabalhos de Friedman e Phelps.
A tese central é que expectativas de inflação entram na formação de preços e salários. Quando o banco central mantém a inflação próxima da meta e reage aos desvios com juros, as expectativas se ancoram. Nesse cenário, a redução da meta não exige aumento de desemprego, desde que o banco central seja autônomo e comprometido com o objetivo.
Fichamento#
- A fala atribuída à presidente é tratada como prova de desconhecimento dos fundamentos da economia.
- O texto recupera a antiga ideia de troca entre inflação e desemprego associada a Samuelson e Solow.
- Friedman e Phelps teriam mostrado que essa relação era frágil.
- As expectativas de inflação passam a influenciar salários e preços.
- Se o governo tenta reduzir o desemprego com inflação mais alta, trabalhadores e empresas incorporam a inflação esperada em suas decisões.
- Com o tempo, deixa de ser possível trocar mais inflação por menos desemprego.
- A ancoragem das expectativas depende do compromisso real do banco central com a meta.
- Esse compromisso aparece na ação de elevar juros quando a inflação sobe e reduzi-los quando cai.
- Se a política monetária é bem administrada, o desemprego tende a permanecer no nível compatível com a meta, seja ela 3%, 5% ou 8%.
- Reduzir a meta de inflação não exige elevar o desemprego; exige um banco central autônomo e comprometido.
