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Norbert Wiener e a Cibernética

Norbert Wiener (1894–1964), matemático americano. Prodígio: entrou na universidade aos 11, doutorou-se em Harvard aos 18. Passou a carreira no MIT.

Cybernetics (1948) nasceu das conferências Macy, onde engenheiros, biólogos, psicólogos e matemáticos tentavam encontrar princípios comuns entre disciplinas. Wiener propôs um: o feedback. Um sistema que recebe informação sobre os seus próprios resultados e se ajusta. Um termóstato faz isso. Um corpo humano faz isso. Uma economia tenta fazer isso.

O livro é denso, cheio de matemática, e Wiener sabia que poucos o leriam. Por isso escreveu The Human Use of Human Beings (1950), versão acessível para o público geral. Neste segundo livro, levantou questões que só ficaram urgentes décadas depois: automação e desemprego, concentração de informação como forma de poder, o risco de delegar decisões a máquinas sem compreender os seus critérios.

Wiener recusou-se a trabalhar em projectos militares após Hiroshima. Escreveu uma carta aberta em 1947 explicando porquê. Não era pacifista ingénuo. Tinha trabalhado em sistemas de mira antiaérea durante a guerra e sabia exactamente o que as suas equações podiam fazer.

A cibernética como campo formal durou pouco. Fragmentou-se em teoria da informação, inteligência artificial, teoria de sistemas, ciências cognitivas. Mas a ideia de feedback como princípio organizador atravessou todas essas disciplinas. Quando Senge fala de “loops de reforço” em organizações, é Wiener. Quando Bateson analisa padrões de comunicação em famílias, é Wiener. O nome desapareceu; a ideia ficou em todo o lado.