Estamos à beira de uma mudança radical?
Noah Smith contra o catastrofismo de esquerda e direita: é possível que estejamos à beira de uma ruptura histórica — mas é igualmente possível que simplesmente “atravessemos o pântano” como já fizemos antes.
O argumento histórico: Os EUA entre 1965 e 1994 foram muito mais violentos e instáveis do que hoje. Mais de 2.500 atentados a bomba em 18 meses no início dos anos 70. Taxa de homicídios muito acima dos níveis atuais. Ameaça nuclear real e constante — 60.000 ogivas em alerta. E ainda assim, o que aconteceu? Neoliberalismo chato se tornou a filosofia dominante. As pessoas simplemente atravessaram o pântano (muddled through).
Sobre o clima: A janela do cenário mais otimista (1,5°C) provavelmente fechou, mas os cenários mais pessimistas estão ficando menos prováveis. Emissões globais ficaram aproximadamente estáveis entre 2011 e 2021 — uma década de crescimento econômico sem aumento de carbono é um sinal importante. A experiência do Reino Unido mostra que é possível descarbonizar sem colapso econômico nem reorganização radical da sociedade.
A conclusão ambígua: Não é hora de relaxar — o medo e a indignação moderados são o que impede a fragmentação social. Mas a ideia de “socialismo ou barbárie” como única saída ignora a capacidade histórica das sociedades de resolver problemas grandes de forma incremental e bagunçada.
“America’s great strength is that we freak out about everything, thus bestirring ourselves to early action when other countries might have let problems fester too long.”
