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O neoliberalismo ama a IA porque enxerga o mercado como um grande computador

Tiago C. Soares reconstrói a genealogia da inteligência artificial desde o Frankenstein de Mary Shelley até o ChatGPT, passando por Turing, Wiener e von Neumann na Segunda Guerra. O argumento central: a metáfora que Hayek cunhou em 1945, a de que o mercado funciona como um processador de informação, é a mesma que hoje faz o neoliberalismo abraçar a IA generativa com tanto entusiasmo.

Fichamento
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  • O Frankenstein de Mary Shelley (1818) já antecipa a mistura de metafísica e ciência que vai atravessar toda a história da ideia de inteligência artificial.
  • Em 1939, o robô Elektro, da Westinghouse, apresentava a IA como réplica do trabalhador urbano integrado ao maquinário capitalista.
  • Alan Turing funde sua teoria da “máquina universal” ao esforço de decodificação britânico contra os nazistas, e em 1948 constrói o Baby, o primeiro computador eletrônico de programa armazenado.
  • Norbert Wiener cunha o conceito de feedback a partir de estudos militares de artilharia e funda a cibernética como teoria comum a máquinas e organismos vivos.
  • John von Neumann, matemático liberal e anticomunista, disputa com Wiener a interpretação da cibernética e se aproxima das ideias de Turing.
  • Langdon Winner pergunta, em 1980, se artefatos têm política, ligando decisões de engenharia civil e computação a relações de força na cidade.
  • Friedrich Hayek, em “O uso do conhecimento na sociedade” (1945), propõe que o sistema de preços regula a economia como um gigantesco processador de dados, a sociedade funcionando como um grande computador. A mesma naturalização aparece na ideia hayekiana de ordens espontâneas.
  • Essa metáfora vira ideologia central do neoliberalismo e volta a se manifestar no encantamento contemporâneo com a IA generativa.