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Humanitas é o princípio

O filósofo Quincas Borba apresenta o Humanitismo a Rubião nos termos do princípio único: existe em todas as coisas uma substância idêntica, oculta, comum, indivisível, indestrutível — e essa substância chama-se Humanitas. A inveja, no sistema, é “nobre sentimento” porque consiste em contemplar nos outros as qualidades de Humanitas. A morte não existe; o encontro de duas expansões pode determinar a supressão de uma das formas, mas a substância permanece.

A construção é paródia precisa. Humanitas joga ao mesmo tempo com a humanitas dos positivistas (Comte, em quem a Humanidade aparece como Grande Ser que substitui Deus na religião positiva), com o Conatus spinozista, e com a Vontade schopenhaueriana. Machado mistura os três, exagera o vocabulário, e o resultado é máquina retórica que justifica qualquer coisa: guerra, miséria, latrocínio, tudo é movimento de Humanitas em si mesma.

Rubião adere ao sistema sem entender, e o livro acompanha a deriva do discípulo até a loucura. A trajetória mostra o que Machado faz com filosofias totalizantes: não as refuta, deixa-as funcionarem em corpos comuns e mostra o que produzem. O capital herdado por Rubião dissolve-se ao mesmo passo em que a doutrina explicava por que tudo era inevitável.