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❝ Citação

Chama-me Natureza ou Pandora; sou tua mãe e tua inimiga

O capítulo VII descreve um delírio febril de Brás Cubas. Ele é levado por um hipopótamo até uma figura colossal que se identifica nestes termos. O nome duplo — Natureza ou Pandora — combina o princípio cosmológico grego com a primeira mulher mítica, aquela cuja caixa libera os males ao mundo. A indistinção é proposital.

A apostille “sou tua mãe e tua inimiga” não é antítese a resolver. As duas funções coincidem no mesmo sujeito: o que produz a vida é o mesmo que a destrói, porque a mecânica da reprodução exige a substituição dos vivos pelos vivos seguintes. A figura mostra a Brás Cubas a sucessão das gerações em alta velocidade, cada uma esmagando a anterior. O afeto humano que se projeta sobre a Natureza (mãe protetora) é desfeito pela sua indiferença ao indivíduo.

A passagem dialoga com Schopenhauer, lido por Machado, e prepara a “filosofia humanitista” que aparece em Quincas Borba — onde a guerra entre tribos famélicas é “conservação”, a paz é “destruição”. A natureza machadiana não é hostil por crueldade. É hostil por arquitetura.