Pendurou-se-me uma ideia no trapézio que eu tinha no cérebro
A frase abre o capítulo II e estabelece o tom acrobático do livro. A ideia não chega como pensamento, chega como número de circo: pendura-se num trapézio, dá voltas, desafia o narrador. Machado materializa a abstração com tanto cuidado que o cérebro vira pequena tenda, e a ideia, equilibrista pago.
O emplasto Brás Cubas seria um remédio contra a hipocondria, capaz de “aliviar a melancólica humanidade”. A motivação declarada é filantropia, mas o narrador confessa, na sequência, que o que de fato o move é ver o próprio nome estampado em jornais, anúncios, esquinas e caixinhas. A ordem dos termos é pedagógica: a humanidade vem primeiro retoricamente, a vaidade vem primeiro causalmente.
Brás Cubas morre de pneumonia contraída enquanto perseguia o invento. A ideia fixa do capítulo IV — “ela é que faz os varões fortes e os doidos” — é confirmada por contraste. A ideia fixa de Brás não fez nem força nem loucura, fez vaidade pequena que terminou em túmulo. O emplasto é a sátira machadiana da ambição de glória da elite imperial brasileira que confunde projeto científico com self-marketing.
