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❝ Citação

Quem escreve um livro cria um castelo, quem o lê mora nele

A frase aparece em material de divulgação da EdUSP para o Dia Nacional do Livro, comemorado em 29 de outubro no Brasil em referência à fundação da Biblioteca Nacional em 1810. A formulação é atribuída a Lobato sem indicação editorial primária precisa pela fonte universitária, mas é coerente com o vocabulário recorrente do autor sobre o livro como espaço habitável e o leitor como morador.

A imagem do castelo desloca a metáfora habitual da escrita como navio, ferramenta ou semente. O castelo é construção fixa e ostentatória, com função simultânea de morada, defesa e marco territorial. Lobato divide os papéis: o escritor constrói, o leitor mora. A construção pertence ao escritor enquanto operação, mas a habitação só existe se o leitor entra. Sem leitor o castelo é monumento vazio.

A formulação tem parentesco com a metáfora medieval do livro como casa do espírito e antecipa, em registro popular, distinções da estética da recepção desenvolvidas por Hans Robert Jauss e a Escola de Constança nos anos 1960, segundo as quais o sentido do texto não está no autor nem no texto, mas no encontro entre texto e leitor. Lobato chega à mesma constatação em registro aforístico, sem aparato teórico, pelo lado prático da experiência editorial: o que vivia produzindo livros e organizando o mercado leitor brasileiro sabia que o livro só era casa quando alguém entrava nele.