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No Brasil subtrai-se; somar, ninguém soma

“Velha Praga” é o primeiro texto de “Urupês” (1918), e tem origem em artigo publicado por Lobato no jornal “O Estado de S. Paulo”, edição vespertina “O Estadinho”, em 12 de novembro de 1914, na seção “Queixas e Reclamações”. O texto começa como denúncia das queimadas praticadas pelos caboclos no Vale do Paraíba e desemboca em diagnóstico mais amplo do atraso brasileiro. A frase “No Brasil subtrai-se; somar, ninguém soma” é parte desse diagnóstico, formulado como aforismo de fechamento de raciocínio.

A oposição entre soma e subtração funciona em registro contábil e simbólico. Para Lobato, o brasileiro consome o que recebeu sem repor: derruba a mata, esgota o solo, exaure o homem, e segue adiante para outra terra que repetirá o ciclo. A economia agrícola tradicional do interior paulista, que Lobato observa de fazenda em fazenda, é descrita como aritmética de subtração: aquilo que está dado é gasto, nada é acumulado, nada é construído sobre o anterior. A acusação não é direcionada apenas ao caboclo. É descrição de hábito cultural geral.

A frase vem antes da revisão importante que Lobato fará da própria posição sobre o caboclo. A partir de 1918, em contato com os trabalhos sanitaristas de Belisário Penna e Arthur Neiva sobre verminose e endemias rurais, Lobato passa a sustentar que o Jeca Tatu não é assim por preguiça, mas por estar doente. A formulação contra a subtração brasileira sobrevive a essa revisão. A tese sobre o caboclo muda; a tese sobre o país que não soma permanece, e voltará na campanha pelo petróleo, no diagnóstico sobre a falta de indústria editorial e na briga contra a importação de bens que o país poderia produzir.