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❝ Citação

Este funesto parasita da terra é o caboclo

A passagem completa do trecho mais citado de “Velha Praga” é: “Este funesto parasita da terra é o CABOCLO, espécie de homem baldio, seminômade, inadaptável à civilização.” A formulação aparece no artigo publicado por Lobato em 12 de novembro de 1914 no “O Estado de S. Paulo”, edição vespertina “O Estadinho”, e foi incluída em 1918 no livro “Urupês” como abertura do conjunto. A imagem mecânica do parasita, do urupê (cogumelo de tronco apodrecido) e do “homem baldio” estabelece o vocabulário com que Lobato descreve o caboclo paulista do interior nesta primeira fase.

A descrição é dura e foi recebida como tal. Os caboclos, segundo Lobato, queimam a mata sem replantar, levantam casas em três dias e abandonam a terra esgotada para repetir o ciclo adiante. A natureza brasílica é descrita como rica de formas, e o caboclo é descrito como o “sombrio urupê de pau podre a modorrar silencioso no recesso das grotas. Só ele não fala, não canta, não ri, não ama.” A retórica é de denúncia patriótica, com Lobato ainda como fazendeiro do Vale do Paraíba e indignado com as queimadas que via na própria propriedade.

A posição mudaria entre 1918 e 1919. Em contato com os relatórios sanitaristas de Belisário Penna e Arthur Neiva sobre verminose, ancilostomíase e malária no campo brasileiro, Lobato reconheceu que o estado do caboclo era resultado de doença e abandono, não traço congênito. No prefácio à quarta edição de “Urupês” (1919) escreveu o pedido de desculpas reproduzido em várias edições posteriores: “Eu ignorava que eras assim, meu caro Jeca, por motivo de doenças tremendas.” A revisão é importante para entender a posição final do autor. A frase original, no entanto, permanece nas edições posteriores e continua sendo o trecho mais reconhecido da obra.