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Livros como detrito do conhecimento

Si Fu citou um pensador chinês que chamava os livros de “detrito do conhecimento”. A escrita congela o conceito, omite a evolução histórica daquilo, e perde o contexto vivo da conversa que originou o registro. O que sobra na página é o resíduo, não o saber. O copismo já fazia isso, e a imprensa só deu escala ao congelamento.

Como exemplo, A Arte da Guerra. O título original é Sun Tzu Ping Fa, “método de soldado de Sun Tzu”, e o título romântico é cortesia de Maquiavel. O livro abre com a fórmula “Mestre diz”, o que indica que não foi Sun Tzu quem escreveu, foi registro feito por terceiros. Daí a pergunta que importa: em que contexto foi escrito, e para quem? Para quem estava na sala, ou para quem não estava?