'De cada cinco textos atribuídos a mim na internet, ao menos quatro não fui eu que escrevi'
A frase aparece em entrevista de Veríssimo à edição brasileira da revista Playboy em 2011, e foi recuperada pelos obituários publicados depois da sua morte em 30 de agosto de 2025. O contexto é a circulação maciça de textos com o nome dele em correntes de e-mail, blogs e, depois, redes sociais. Veríssimo acrescenta que existiam contas em redes sociais com o seu nome, e que nenhuma era operada por ele.
A declaração funciona como aviso de fábrica para qualquer um que compile citações de Veríssimo. O cronista foi alvo recorrente de atribuição falsa porque a sua marca pública era a observação leve do cotidiano, registro que casa com o tom dos textos motivacionais que os apócrifos costumam imitar. “O Quase” (de Sarah Westphal), “Aprenda a Chamar a Polícia”, “Dar Não é Fazer Amor” (de Tatiane Bernardi), “Depoimento Sobre as Drogas” (de Vitor Trucco) e variações sobre solidão, escolha e renúncia circularam por anos com a sua assinatura.
Veríssimo chegou a publicar coluna na Zero Hora em 24 e 31 de março de 2005 esclarecendo que “Quase” não era dele e ajudando a identificar a autora real. A piada interna nessa coluna — “Na internet, tudo se torna verdade até prova em contrário e como na internet a prova em contrário é impossível, fazer o quê?” — antecipa em uma década o léxico atual de fact-checking e desinformação.
