'O Quase' — não é de Luis Fernando Veríssimo, é de Sarah Westphal
O texto “Quase” (também referido como “O Quase”) circulou amplamente por correntes de e-mail nos anos 2000, atribuído a Luis Fernando Veríssimo. A peça chegou a ser incluída em uma antologia de prosa brasileira traduzida para o francês — onde apareceu como “Presque” entre Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira — sob o nome de Veríssimo. A atribuição é falsa.
A autora real é Sarah Westphal Batista da Silva, então com 21 anos e estudante de Medicina em Blumenau. Sarah escreveu o texto em abril de 2002, durante um cursinho em Florianópolis, motivada por um desfecho amoroso. Compartilhou com amigas por e-mail e perdeu o controle da circulação. O texto rodou pelo país com o nome de Veríssimo durante dois anos antes de o cronista publicar coluna de Zero Hora em 24 de março de 2005 dizendo não ser dele e em 31 de março de 2005 anunciando a identificação da autora.
Veríssimo escreveu na coluna de 24 de março de 2005 que “na internet, tudo se torna verdade até prova em contrário e como na internet a prova em contrário é impossível, fazer o quê?”. A frase descreve o regime de circulação que produzia esse tipo de erro de atribuição na internet pré-redes sociais e que se intensificaria em escala nas redes que vieram depois. O caso “Quase” é o mais bem documentado do conjunto de textos apócrifos que vestem o nome de Veríssimo e o que ele mesmo trabalhou para desfazer.
