'Aprenda a Chamar a Polícia' — atribuição a Luis Fernando Veríssimo é incerta
“Aprenda a Chamar a Polícia” é uma crônica anônima, narrada em primeira pessoa, em que o narrador conta como conseguiu atendimento policial mais rápido ao mentir que já havia matado o ladrão. A crônica circula no Brasil desde os anos 2000 em apostilas escolares, materiais de cursinho, blogs e correntes de e-mail, e quase sempre vem assinada por Luis Fernando Veríssimo. A atribuição não foi verificada nas coletâneas oficiais do cronista publicadas pela L&PM, Objetiva ou Companhia das Letras.
O texto não consta em “Comédias da Vida Privada”, em “Comédias para se Ler na Escola” (onde caberia, dado o uso pedagógico), em “Aquele Estranho Dia que Nunca Chega” nem em qualquer dos volumes de crônicas avulsas catalogados. O Recanto das Letras, fonte que cataloga textos apócrifos atribuídos ao cronista, lista “Aprenda a Chamar a Polícia” entre os que não foram escritos por ele. O autor real não foi identificado em fontes públicas.
O caso difere do “Quase” (que tem autora identificada, Sarah Westphal) e do “Dar Não é Fazer Amor” (que tem autora identificada, Tatiane Bernardi). Para “Aprenda a Chamar a Polícia” há apenas a evidência negativa: a crônica não está nos livros de Veríssimo, e ele em 2011 declarou que a maioria do que circula com seu nome não foi escrita por ele. O texto continua a ser usado em sala de aula com a atribuição falsa.
