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❝ Citação

'Más vale ser touro brocha que boi tesudo'

A formulação aparece nas comparações reunidas em “O Analista de Bagé” (L&PM, 1981). A grafia “más” — não “mais” — preserva o registro fonético do interior gaúcho, que herda a forma do espanhol platino e que aparece em parte do livro como marcador estilístico do personagem. O Analista de Bagé, sendo de Bagé, fala assim.

O conteúdo é piada masculina rural. “Touro brocha” é o reprodutor que perdeu a função sexual; “boi tesudo” é o boi castrado mas em estado de excitação aparente. A frase argumenta que vale mais ter pertencido à categoria reprodutiva, mesmo que agora não funcione, do que estar permanentemente fora da categoria. A piada é construída sobre uma distinção biológica reconhecível por qualquer criador de gado da região, e o efeito vem do excesso de precisão técnica para fazer um ponto sobre dignidade masculina.

Veríssimo está parodiando, no Analista, o gênero machista campeiro que produziria provérbio assim. A função do livro como um todo é desmontar o regionalismo glorificado mostrando que o personagem que melhor representa o tipo é também a sua caricatura. A citação literal preserva o “más” como assinatura do registro, que se perde quando a frase é repetida em “mais vale touro brocha”.