Ed Mort: 'É o que está escrito na plaqueta'
Ed Mort é o detetive particular criado por Veríssimo em “Ed Mort e Outras Histórias”, publicado pela L&PM em 1979. A franchise é uma paródia direta do hard-boiled americano, especialmente do Sam Spade de Hammett e do Marlowe de Chandler, transposta para Copacabana, onde o detetive divide um escritório minúsculo, que ele chama de “escri”, com 117 baratas e um rato albino chamado Voltaire.
O refrão de identificação que abre as crônicas, “Mort. Ed Mort. Detetive particular. É o que está escrito na plaqueta”, copia a fórmula de Bond e Spade (“the name’s Bond, James Bond”) e a desinfla pela cláusula final. Em vez de a identidade autorizar a si mesma, ela é remetida à plaqueta, objeto burocrático e externo. A figura está dizendo “sou detetive porque a plaqueta diz”. O humor está nessa transferência da autoridade narrativa para um suporte físico ridículo.
Ed Mort virou tira em quadrinhos com Miguel Paiva entre 1985 e 1990, virou filme (“Ed Mort”, 1997) e atravessou várias coletâneas. O personagem é um dos casos mais bem-acabados de Veríssimo trabalhando no registro paródico de gênero. O Analista de Bagé parodia tipo social, a Velhinha de Taubaté parodia posição política. Ed Mort parodia a sintaxe do romance noir.
