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❝ Citação

'Pra besteira e financiamento do Banco do Brasil, sempre se arranja um jeito'

A formulação é atribuída ao Analista de Bagé em “O Analista de Bagé” (L&PM, 1981). A construção é de provérbio: dois itens supostamente sem relação, ligados pelo verbo “arranjar jeito”, que vale para ambos. O efeito está em assimilar o impulso pessoal — fazer besteira — à mecânica institucional do crédito agrícola brasileiro.

O Banco do Brasil em 1981 é fonte central de financiamento rural, especialmente para o Rio Grande do Sul, e a referência local é precisa. A piada não é abstrata: o Analista está falando de um sistema concreto de crédito que ele e seus pacientes conhecem por dentro. A construção sugere que tanto a besteira quanto o empréstimo são decisões já tomadas antes de chegarem ao balcão; a documentação vem depois.

A formulação é exemplo de como Veríssimo usa o personagem para comentar economia política sem deixar a moldura cômica. O Analista nunca faz tese; faz comparação. A comparação carrega o argumento, e o argumento aqui é que a fronteira entre decisão impulsiva e crédito formalizado, no Brasil, é mais administrativa do que substantiva. Lendo de longe, a frase faz piada; lendo de perto, a frase nomeia um traço estrutural do sistema rural gaúcho.