❝ Citação
Il n'y a guère d'homme assez habile pour connaître tout le mal qu'il fait
Máxima 269 das Maximes. O dano que o sujeito provoca em outros excede sistematicamente a percepção que ele tem do próprio dano. A frase posiciona um limite epistêmico ao autoconhecimento moral.
A máxima dialoga com a tradição cristã do exame de consciência incompleto (Pascal, em Pensées: “Le moi est haïssable”), mas em registro secularizado. Não invoca a graça divina como suplemento do diagnóstico — fica com a constatação: o mal feito é maior que o mal sabido. O dispositivo retórico (“il n’y a guère d’homme assez habile”) inclui mesmo os mais lúcidos no diagnóstico, La Rochefoucauld inclusive.
