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❝ Citação

聖人處無為之事,行不言之教 — O sábio age sem agir e ensina sem falar

天下皆知美之為美,斯惡已。皆知善之為善,斯不善已。… 是以聖人處無為之事,行不言之教。

Cap. 2. Tradução de James Legge (1891): “Therefore the sage manages affairs without doing anything, and conveys his instructions without the use of speech.” É a primeira ocorrência sistemática de 無為 (wú-wéi, “não-agir” ou “agir sem forçar”) e do par 不言之教 (bú-yán zhī jiào, “ensino sem palavras”) no texto recebido.

O capítulo inteiro é construído sobre pares coemergentes: belo/feio, bom/ruim, ser/não-ser, difícil/fácil, longo/curto, agudo/grave, antes/depois. A tese implícita é fenomenológica antes de ética — o reconhecimento de um polo já produz o outro. O movimento do sábio não é escolher um lado, é não cristalizar a polaridade. Wú-wéi aqui não significa inação literal, e sim ação que não se fixa em si mesma como mérito (a frase final do capítulo é 功成而弗居, “consuma a obra e não se instala nela”).

A leitura de A. C. Graham (Disputers of the Tao, 1989) destaca que o capítulo já antecipa o problema mohista e confuciano da nomeação correta dos valores. Para os mohistas, é preciso dizer com clareza o que é (義, justo). Para o autor (ou autores) do Dào Dé Jīng, o próprio gesto de fixar o nome do bem produz o seu oposto na sombra. François Jullien (Tratado da Eficácia, 1996) leu wú-wéi como uma teoria da eficácia que prescinde do sujeito heroico ocidental — o resultado vem do alinhamento com a tendência do situação, não da imposição de um plano.