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❝ Citação

知者不言,言者不知 — Quem sabe não fala; quem fala não sabe

知者不言,言者不知。塞其兑,閉其門,挫其銳,解其分,和其光,同其塵,是謂玄同。

Cap. 56. Tradução de Legge: “He who knows (the Tao) does not (care to) speak (about it); he who is (ever ready) to speak about it does not know it.” A formulação ecoa de modo invertido a abertura do livro (cap. 1, o nome que se nomeia não é o nome constante) e antecipa toda a tradição posterior do silêncio dos místicos.

O capítulo encadeia a sentença de abertura com seis verbos da disciplina interior: tapar as aberturas (塞其兑), fechar os portões (閉其門), embotar a ponta (挫其銳), desatar o nó (解其分), harmonizar a luz (和其光), igualar-se à poeira (同其塵). A imagem 和其光,同其塵 (“harmoniza a luz, iguala-se à poeira”) tornou-se locução fixa em chinês — hé-guāng tóng-chén — e reaparece em Zhuangzi como descrição do sábio que não se distingue do mundo comum. A sequência foi lida pela tradição zen como instrução prática: o sábio não brilha, não corta, não se separa.

A linha de abertura tem recepção problemática. Comentadores chineses já notavam o paradoxo performativo: se quem sabe não fala, o que faz Lao Tzu escrevendo um livro? A resposta tradicional, em Wang Bi e Heshang Gong, é que o livro mostra o caminho mas não é o caminho — registra a impossibilidade do registro. Hans-Georg Moeller (The Philosophy of the Daodejing, 2006) lê o capítulo como anti-discurso filosófico programático: o Dào Dé Jīng não argumenta, não demonstra, não responde a interlocutores como faz o Lùn Yǔ. O capítulo 56, nessa leitura, é meta-comentário sobre o gênero do próprio livro.