知人者智,自知者明 — Conhecer os outros é inteligência; conhecer-se a si é claridade
知人者智,自知者明。勝人者有力,自勝者強。知足者富。強行者有志。不失其所者久。死而不亡者壽。
Cap. 33. Tradução de Legge: “He who knows other men is discerning; he who knows himself is intelligent. He who overcomes others is strong; he who overcomes himself is mighty.” A simetria estrutural do capítulo é evidente em chinês — pares quase paralelos opondo o conhecimento dirigido para fora e a apreensão dirigida para dentro.
O par mais importante é 智 (zhì) / 明 (míng). Zhì é inteligência analítica, capacidade de discernir e classificar — virtude reconhecida pela tradição confuciana e mohista. Míng é claridade interna, lucidez sem objeto — virtude propriamente taoísta, associada à visão que dispensa lampião. A distinção retorna no capítulo 16 (zhī cháng yuē míng, 知常曰明, “conhecer o constante é claridade”). Robert Henricks (Lao-Tzu: Te-Tao Ching, 1989, edição Mawangdui) observa que a estrutura paralelística do cap. 33 é estável entre os manuscritos de Mawangdui e a versão recebida — texto antigo, com poucas variantes.
O fecho 死而不亡者壽 (“aquele que morre mas não perece tem vida longa”) foi lido pela tradição religiosa taoísta posterior como referência à imortalidade ritual, mas Wang Bi e a leitura filosófica majoritária entendem como afirmação sobre o dé (德) que persiste na obra e na transmissão. A linha “勝人者有力,自勝者強” (vencer outros é ter força, vencer a si é ser forte) circula em coletâneas modernas como sentença isolada — vale lembrar que ela só faz sentido pleno dentro da série paralelística do capítulo.
