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Leoparden brechen in den Tempel ein und saufen die Opferkrüge leer

Aforismo 20 dos Zürauer Aphorismen. Texto integral: “Leoparden brechen in den Tempel ein und saufen die Opferkrüge leer; das wiederholt sich immer wieder; schließlich kann man es vorausberechnen, und es wird ein Teil der Zeremonie.” Leopardos invadem o templo e bebem os jarros sacrificiais até a última gota; isso se repete sem cessar; afinal pode-se calculá-lo de antemão, e torna-se parte da cerimônia.

Pequena alegoria sobre como o ritual absorve a sua própria profanação. Calasso comenta que Kafka isola aqui o mecanismo central da Lei: nada lhe é externo, porque mesmo o que a viola termina incorporado como parte. A imagem foi lida em chave teológica (incorporação do sacrílego ao culto), antropológica (a religião como dispositivo que digere a transgressão) e política (institucionalização de toda dissidência). O aforismo aparece em disposição central na sequência kafkiana, próximo aos aforismos sobre a Queda e o paraíso.