Die Krähen behaupten, eine einzige Krähe könnte den Himmel zerstören
Aforismo 32 dos Zürauer Aphorismen. Texto integral: “Die Krähen behaupten, eine einzige Krähe könnte den Himmel zerstören. Das ist zweifellos, beweist aber nichts gegen den Himmel, denn Himmel bedeuten eben: Unmöglichkeit von Krähen.” Os corvos sustentam que um único corvo poderia destruir o céu. Isso é indubitável, mas nada prova contra o céu, pois céu significa precisamente: impossibilidade de corvos.
O sobrenome de Kafka deriva do tcheco kavka, gralha — pequena ave da família dos corvídeos —, e era usado como logotipo na loja paterna. A escolha do animal como sujeito do aforismo é deliberadamente autorreferencial, como observou Pietro Citati. A construção argumentativa imita a forma de um silogismo escolástico, mas dissolve sua própria pretensão: a definição do céu (lugar incompatível com corvos) torna a premissa inicial irrelevante. Calasso lê o aforismo como exemplo paradigmático da lógica kafkiana — refutar pela definição em vez de pela negação.
