Ein Buch muß die Axt sein für das gefrorene Meer in uns
Da carta a Oskar Pollak datada 27 de janeiro de 1904. Pollak era amigo próximo de Kafka desde os tempos do Gymnasium em Praga, e a correspondência entre os dois preserva os primeiros enunciados kafkianos sobre literatura. Trecho: “Ich glaube, man sollte überhaupt nur noch solche Bücher lesen, die einen beißen und stechen. Wenn das Buch, das wir lesen, uns nicht mit einem Faustschlag auf den Schädel weckt, wozu lesen wir dann das Buch? […] Ein Buch muß die Axt sein für das gefrorene Meer in uns.” Acho que só se deveria ler livros que nos mordem e ferroam. Se o livro que lemos não nos desperta com um golpe de punho na cabeça, para que então o lemos? Um livro precisa ser o machado para o mar congelado dentro de nós.
Kafka tinha vinte anos. A formulação é precoce e ficou como uma das frases mais citadas do autor — verificada por Quote Investigator e contida na edição Briefe 1902-1924 organizada por Brod (S. Fischer Verlag, 1958). Roberto Calasso comenta a frase em K. (Adelphi 2002) como manifesto involuntário da concepção kafkiana de literatura: a violência necessária do texto sobre o leitor congelado.
