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John Stuart Mill

John Stuart Mill (1806–1873), filósofo, economista e político britânico. Filho de James Mill, discípulo de Bentham. O pai deu-lhe uma educação de intensidade incomum: grego aos 3 anos, latim aos 8, lógica e economia política na adolescência. Aos 20, crise mental severa. Saiu dela a valorizar emoções, poesia (descobriu Wordsworth) e relações humanas para lá da razão pura.

A parceria intelectual com Harriet Taylor, com quem casou em 1851, moldou-lhe o pensamento sobre liberdade e direitos das mulheres.

Herdou o utilitarismo de Bentham mas reformou-o. Para Bentham, todos os prazeres eram iguais, só variavam em quantidade. Mill introduziu a distinção entre prazeres superiores e inferiores. É melhor ser Sócrates insatisfeito do que um tolo satisfeito. Essa distinção qualitativa respondia à acusação de que o utilitarismo era uma filosofia de porcos.

Em On Liberty (1859) formulou o princípio do dano: a única razão legítima para restringir a liberdade de alguém é evitar dano a outros. O bem da própria pessoa não basta. Defendeu a liberdade de expressão mesmo para opiniões falsas. O debate aberto é o caminho mais fiável para a verdade.

The Subjection of Women (1869) argumentou pela igualdade jurídica e social entre homens e mulheres. Foi dos primeiros parlamentares a propor o voto feminino, em 1866.

Em A System of Logic (1843) sistematizou o método indutivo. Os Métodos de Mill (concordância, diferença, variações concomitantes) continuam a ser ensinados como bases do raciocínio causal.

Principles of Political Economy (1848) foi manual padrão durante décadas. Posição entre o laissez-faire e o socialismo: intervenção estatal em falhas de mercado, redistribuição quando necessária.

Empirista, liberal, proto-feminista e reformador social ao mesmo tempo, numa época em que essas posições raramente coexistiam.