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❝ Citação

Eu vivo no mato. Eu vivo dentro da floresta da Tijuca

A frase “Eu vivo no mato. Eu vivo dentro da floresta da Tijuca, quer dizer, eu vejo macacos, micos” foi dita por Tom Jobim ao Roda Viva da TV Cultura, em 20 de dezembro de 1993. A passagem está registrada na transcrição do Memória Roda Viva (entrevista de 1993).

A descrição contraria o estereótipo público do compositor. Jobim é associado ao mar, à orla, ao Posto Nove, à figura da garota que passa indo para a praia. A frase desloca a localização: o cotidiano é silvestre, não praiano. O parêntese explicativo “quer dizer, eu vejo macacos, micos” é típico do registro coloquial de Jobim na entrevista — ele dá detalhe operacional para fundamentar a afirmação geral. Vê fauna, portanto vive no mato; o silogismo é direto.

A frase faz par com outra do mesmo programa, em resposta a Rosangela Petta: “Eu fiz agora uma música ecológica para salvar a terra, se chama ‘Sempre viva’. Sobre uma dessas plantas que, mesmo no inverno, não perdem as folhas”. A ecologia, no Jobim de 1993, é tema de obra recente — não retórica de causa. A canção “Sempreviva” entrou no álbum Antônio Brasileiro, lançado em 1994 (poucos meses antes da morte do compositor, em dezembro de 1994). A floresta da Tijuca, que ele descreve como casa, é a maior floresta urbana do Brasil — a mata em que o compositor da bossa nova efetivamente vivia em seus últimos anos.