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Se eu tivesse nascido na Hungria, certamente faria música húngara

A frase “Se eu tivesse nascido na Hungria, certamente faria música húngara. Se eu tivesse nascido na América, faria música americana” foi dita por Tom Jobim no programa Roda Viva da TV Cultura, em 20 de dezembro de 1993, em resposta a Jorge Escosteguy sobre a formação musical do compositor. A formulação está registrada na transcrição oficial do Memória Roda Viva, projeto da FAPESP que arquiva a íntegra das entrevistas do programa (entrevista de 1993).

A frase é uma resposta a uma pressuposição implícita na pergunta — a de que “fazer música brasileira” seria uma escolha estética, com motivação ideológica ou programa cultural. Jobim recusa o pressuposto e devolve uma resposta materialista: faz-se a música do lugar onde se nasce. Não há mérito patriótico nem dívida cultural; há circunstância. A construção condicional repetida (“se… certamente”) evita o tom solene da declaração de fé nacional. A música brasileira é o que sai do compositor brasileiro — não porque ele a escolheu, mas porque não tinha outra a escolher.

A posição contrasta com o “nacionalismo exacerbado”, que ele identifica e nomeia mais adiante na mesma entrevista, em resposta a Mario Sabino, como traço do contexto cultural em que a bossa nova surgiu. Jobim diz: “Nós tínhamos aquele nacionalismo, uma certa xenofobia e aquele nacionalismo exacerbado”. A frase sobre a Hungria, portanto, é diagnóstico — não adesão. O compositor descreve a condição de quem faz música brasileira sem precisar do nacionalismo como justificativa.