Minha alma canta, vejo o Rio de Janeiro
“Minha alma canta, vejo o Rio de Janeiro” abre “Samba do Avião”, composta por Jobim em 1962, com música e letra do próprio compositor. Segundo o verbete em português da Wikipédia (Samba do Avião), Jobim escreveu a peça para o filme italiano Copacabana Palace (1962); a estreia pública foi em agosto de 1962 no restaurante Au Bon Gourmet, em Copacabana, na noite que reuniu Jobim, João Gilberto, Vinicius e Os Cariocas. A primeira gravação comercial é de Elza Laranjeira, em outubro de 1962; o sucesso massivo veio com a versão de Os Cariocas em 1963.
A canção descreve o pouso no Galeão visto de dentro do avião: montanha do Pão de Açúcar, baía, Corcovado. A construção descritiva é direta: o eu lírico vê e canta o que vê. A biografia de Helena Jobim, conforme o mesmo verbete, registra a gênese: Jobim caminhava de Ipanema até o aeroporto Santos Dumont, tinha medo de voar mas era atraído por aviões, e parava lá para ver os pousos enquanto comprava revistas estrangeiras. A canção é, portanto, do observador em terra projetando o que veria do ar, e não do passageiro de fato.
O aeroporto que dá quadro à canção foi rebatizado em homenagem ao compositor. Em 1999, o Aeroporto Internacional do Galeão passou a se chamar Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, fato registrado pelo verbete da Wikipédia. O Galeão da letra é o de 1962 (anterior à reforma de 1977 e às ampliações posteriores), mas o gesto de nomeação inverte a direção da homenagem: o avião que canta o Rio acaba aterrissando num lugar que carrega o nome de quem o fez cantar.
