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Rua, espada nua / Boia no céu imensa e amarela

“Rua, espada nua / Boia no céu imensa e amarela / Tão redonda a Lua, como flutua” são os versos iniciais de “Luiza”, composta por Tom Jobim, com música e letra do próprio compositor, para a abertura da telenovela Brilhante, exibida pela TV Globo em 1981. A canção saiu na trilha sonora original da novela e no álbum Edu & Tom, gravado no mesmo ano com Edu Lobo, e foi regravada por Jobim no álbum Passarim (1987). A letra completa está disponível no portal Letras.com.br (Luiza por Tom Jobim).

A construção sintática inverte a ordem esperada. A frase começa pelo objeto isolado, “Rua”, sem artigo, sem preposição, exposto. “Espada nua” é a aposição imediata: a rua aparece como lâmina, vertical e cortante. Só então o verso se acomoda no quadro celeste com a Lua amarela boiando. A imagem desloca o leitor da expectativa de canção romântica para uma cena de quase ameaça noturna, antes de a melodia se distender em valsa lenta. O nome “Luiza” só aparece adiante, depois de a paisagem ter sido instalada.

A canção foi escrita para a abertura da novela Brilhante, com a personagem-título interpretada por Vera Fischer. Diferente de outras canções de Jobim com Vinicius ou Chico, em Luiza ele assume sozinho letra e música, num registro lírico mais introspectivo. Esse registro reaparece em Passarim (1987), seu último álbum de estúdio em vida.