Jeremy Bentham
Jeremy Bentham (1748–1832), filósofo e jurista inglês. Fundador do utilitarismo como doutrina sistemática. A obra central, An Introduction to the Principles of Morals and Legislation (1789), estabeleceu o princípio da maior felicidade como critério de avaliação moral e legislativa.
Propôs o cálculo felicífico: prazer e dor medidos por sete critérios (intensidade, duração, certeza, proximidade, fecundidade, pureza, extensão). A ideia era submeter a ética à mesma disciplina da aritmética. Cada acção avaliada pela soma líquida de prazer que produzia. Mill viria a criticar esta abordagem por tratar todos os prazeres como qualitativamente iguais.
Bentham não era filósofo de gabinete. Aplicou o princípio da utilidade à reforma concreta: argumentou contra a pena de morte, contra a criminalização da homossexualidade, a favor dos direitos dos animais e da separação entre Igreja e Estado. Posições radicais para a época. Boa parte do direito penal britânico do século XIX carrega a sua influência.
Projectou o Panóptico, uma prisão circular onde um único vigilante podia observar todos os reclusos sem que estes soubessem se estavam a ser observados. Para Bentham era uma proposta prática. Foucault retomou-a em Vigiar e Punir (1975) como metáfora do poder disciplinar moderno.
A fórmula each to count for one, and none for more than one sintetiza o compromisso igualitário do utilitarismo. Frequentemente atribuída a Bentham, embora Mill a tenha popularizado. Nenhuma pessoa vale mais do que outra no cálculo moral.
Por disposição testamentária, o seu corpo foi preservado e exposto na University College London, onde permanece. Coerente até ao fim: quis que o cadáver fosse útil.
