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❝ Citação

Guderne kjedede sig, derfor skabte de Menneskene

Da primeira parte de Enten-Eller (Ou/Ou, 1843), seção “Vexel-Driften. Forsøg til en social Klogskabslære” (“Rotação de culturas: aventura numa teoria da prudência social”), escrita sob a persona do esteta “A”. A frase inverte o provérbio “o ócio é a raiz de todo o mal”. Para o esteta, o mal é o tédio, e dele tudo deriva. Na tradução de Howard e Edna Hong (Princeton, 1987), “Boredom is the root of all evil”. Os deuses se entediaram e criaram os homens; Adão se entediou sozinho, e por isso Eva foi criada; a partir daí o tédio cresce na exata proporção da população, e leva à Torre de Babel.

Contra o tédio, o esteta propõe a própria Vexel-Driften. A saída extensiva (trocar de país, de cidade, de amante) é ilusória, porque a pessoa continua a mesma. A rotação que ele propõe mantém o solo e muda o método de cultivo, guiada pelo princípio da limitação. Quanto mais alguém se limita, mais inventivo fica; “A” ilustra com o prisioneiro perpétuo, para quem uma aranha já é fonte de diversão.

Quem fala é o esteta, primeiro dos estágios existenciais de Kierkegaard; o segundo volume de Enten-Eller opõe a essa vida a ética do juiz Wilhelm. A figura do tédio estrutural ecoa o pêndulo de Schopenhauer entre dor e tédio, a tríade de Pascal e o ennui de Cioran.

O Naruhodo #397 — Por que ficamos entediados? abre com a leitura desse texto e usa a rotação de culturas para distinguir duas respostas ao tédio: a extensiva (mudar de ambiente) e a intensiva (aumentar a complexidade da percepção dentro dos limites dados).