Gregory Bateson — Steps to an Ecology of Mind
Gregory Bateson (1904–1980), antropólogo, biólogo, cibernético, epistemólogo. Filho do geneticista William Bateson (que cunhou a palavra “genética”). Inglês de nascimento, americano por adopção.
Bateson é difícil de classificar porque recusou classificações. Estudou rituais em Bali com Margaret Mead (com quem foi casado). Analisou padrões de comunicação em golfinhos. Trabalhou com esquizofrénicos no Veterans Administration Hospital em Palo Alto. Participou nas conferências Macy ao lado de Wiener. Em cada campo, procurava o mesmo: padrões que conectam.
Steps to an Ecology of Mind (1972) não é um livro escrito de uma vez. É uma colecção de ensaios, conferências e artigos de três décadas, organizados em quatro secções: antropologia, psiquiatria, evolução biológica e epistemologia. O fio condutor é a ideia de que a mente não está dentro do indivíduo. A mente é o sistema inteiro: organismo mais ambiente, mensagem mais contexto.
O conceito mais influente do livro é o double bind. Bateson e a sua equipa de Palo Alto propuseram que a esquizofrenia podia ser entendida como resposta a mensagens contraditórias impossíveis de resolver. “Sê espontâneo” é um double bind: obedecer à ordem é deixar de ser espontâneo. A teoria como modelo etiológico da esquizofrenia foi abandonada, mas o conceito migrou para teoria da comunicação, terapia familiar e estudos organizacionais.
Mind and Nature (1979) é o último livro que publicou em vida. Mais acessível que Steps, tenta explicar “o padrão que conecta” (the pattern which connects). Bateson pergunta: o que é que uma lagosta, uma orquídea e uma conversa humana têm em comum? A resposta não está nas coisas, está nas relações entre as coisas.
Bateson escrevia de forma exigente. Não simplificava por cortesia. Relia-se melhor na segunda leitura, quando o leitor já desistiu de o encaixar numa disciplina.
