Wer immer strebend sich bemüht, den können wir erlösen
De Faust II, Acto V, cena Bergschluchten (Desfiladeiros), Vers 11936-11937. Os anjos elevam a parte imortal de Faust e proclamam a fórmula da salvação: “Wer immer strebend sich bemüht, / Den können wir erlösen”. Quem sempre se esforça com aplicação, esse podemos salvar. A passagem fecha a Parte II e ecoa o veredicto do Prolog im Himmel na Parte I: Es irrt der Mensch, so lang er strebt.
Tradução Jenny Klabin Segall (Editora 34): “Quem sempre se esforçou, lutando, / Podemos libertar”. A teologia goethiana é peculiar: a salvação não pressupõe arrependimento, sacrifício de sangue ou fé credal — pressupõe movimento. Faust passou a vida cometendo crimes (Margarida, Filêmon e Báucis), e ainda assim os anjos o arrebatam porque ele nunca parou de querer. O verso é citado na cultura alemã como apologia da inquietude burguesa, mas o drama é mais ambíguo — a salvação é dada por graça (das Mater Gloriosa, Maria), não por mérito.
