O Rio de Janeiro continua lindo / O Rio de Janeiro continua sendo
A canção foi composta entre abril e maio de 1969, depois de Gil sair da prisão e antes de embarcar para Londres em julho daquele ano. Pesquisas confirmam que o samba começa com a dedicatória “Esse samba vai pra Dorival Caymmi, João Gilberto e Caetano Veloso” e abre com os versos “O Rio de Janeiro continua lindo / O Rio de Janeiro continua sendo / O Rio de Janeiro, fevereiro e março” antes de saudar bairros, escolas de samba e figuras populares com o refrão “Aquele abraço!” (Wikipédia, verbete Aquele Abraço).
A formulação inicial faz duas afirmações em paralelo: o Rio “continua lindo” e o Rio “continua sendo”. A primeira é descritiva; a segunda é ontológica. Gil despede-se de uma cidade que ele afirma persistir em existência mesmo na ausência de quem parte. A música ganhou status de hino de despedida do exílio justamente por essa duplicidade — celebra o que fica e marca quem sai.
A lista de saudações que segue (Realengo, torcida do Flamengo, Chacrinha, Terezinha) faz o samba funcionar como mapa afetivo de uma cidade vivida. Gil declarou que soldados o saudavam dizendo “Aquele abraço, Gil!” no período de confinamento, expressão que ele converteu em refrão.
