O rei da brincadeira, ê José / O rei da confusão, ê João
A canção foi apresentada por Gil no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record em outubro de 1967, acompanhado por Os Mutantes em arranjo de Rogério Duprat. Ficou em segundo lugar, atrás de “Ponteio” de Edu Lobo, e entrou no álbum Gilberto Gil de 1968 — um dos discos fundadores da Tropicália. A apresentação no festival é frequentemente apontada como o momento em que o movimento se anuncia ao grande público.
Os versos iniciais “O rei da brincadeira, ê José / O rei da confusão, ê João” instalam dois personagens com nomes de santo popular e títulos antitéticos. José é a brincadeira; João é a confusão. A narrativa que segue conta o triângulo entre os dois e Juliana, e termina em assassinato. A combinação entre forma de cordel e arranjo de rock psicodélico era a aposta tropicalista: usar matriz nordestina e instrumentação elétrica no mesmo gesto.
Tendo sido escrita em 1967, durante a ditadura militar, a canção não nomeia nada de político. O escândalo era estético, não programático. Gil colocava o Brasil rural dentro do Brasil pop — sem hierarquia entre os dois, e sem pedir permissão.
