Sou um ministro hacker. Um cantor hacker
A formulação aparece em entrevista de Gil ao caderno Link de O Estado de S. Paulo, em 17 de junho de 2008, quando ele estava há mais de cinco anos no Ministério da Cultura e prestes a deixá-lo. O sociólogo Sérgio Amadeu, que dirigira o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação no primeiro mandato Lula, chamava Gil de “ministro hacker” pela aposta na cultura digital, no software livre e na licença Creative Commons. Gil aceitou e devolveu a alcunha.
A definição que ele oferece na sequência é didática: “Quem são os hackers? São os propiciadores de viabilizações, viabilizam possibilidades novas, através de técnicas e tecnologias” (Vermelho, Sou hacker. Um ministro hacker). A palavra “hacker” não aparece aqui no sentido criminal corrente na imprensa, mas no sentido original da cultura técnica do MIT — quem abre caminho para usos novos de tecnologias existentes.
A coerência prática da formulação está na agenda de gestão. Em junho de 2004, no V Fórum Internacional de Software Livre em Porto Alegre, Gil apresentou o Brasil como primeiro país a adotar oficialmente o licenciamento Creative Commons em obras de governo, com a presença de Lawrence Lessig. Liberou faixas próprias sob a licença Recombo. A figura do ministro hacker era política, não slogan: descrevia uma decisão de fazer o Estado operar sob lógica de código aberto.
