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❝ Citação

Andar com fé eu vou, que a fé não costuma faiá

A canção abre o álbum Um Banda Um, lançado por Gil em agosto de 1982. O refrão “Andar com fé eu vou, que a fé não costuma faiá” funciona como espinha rítmica do disco e tornou-se uma das peças mais escutadas do repertório de Gil. A grafia “faiá” no lugar de “falhar” é decisão de língua: o verbete da Wikipédia registra que Gil adota a forma oral nordestina como homenagem aos sotaques do Brasil.

Os versos distribuem a fé por uma lista de objetos sem hierarquia entre sagrado e profano. As fontes que registram a letra atestam formulações como “a fé tá na mulher”, “na cobra coral”, “num pedaço de pão”, “na maré” e “na lâmina de um punhal”. A enumeração dispensa altar e templo. A fé se manifesta na natureza, no corpo, no risco — e no objeto cortante que pode ferir.

A construção dispensa também a teologia pessoal: nenhum verso afirma fé em alguém ou em algo nomeado. A fé aparece como propriedade dos seres e das coisas, anterior ao sujeito que a enunciaria. Andar com ela é menos confiar do que reconhecer onde ela já está.