Fritjof Capra — A Teia da Vida
Fritjof Capra (1939–), físico austríaco radicado nos Estados Unidos.
Ficou conhecido com The Tao of Physics (1975), que traçava paralelos entre física quântica e misticismo oriental. O livro vendeu muito e atraiu críticas de ambos os lados: físicos acharam-no superficial, místicos acharam-no reducionista. Capra amadureceu.
The Web of Life (1996) é outro livro, e melhor. Capra propõe uma síntese de três linhas do pensamento sistémico que corriam em paralelo: a autopoiese de Maturana e Varela (sistemas vivos produzem-se a si mesmos), a teoria das estruturas dissipativas de Prigogine (ordem emerge do caos longe do equilíbrio), e a matemática dos padrões de Bateson (o padrão que conecta).
A tese central: a vida não se define por substância, define-se por organização. O que distingue um organismo vivo de uma pedra não é a matéria de que é feito (carbono, água, minerais existem em ambos). É o padrão de relações entre os componentes. Esse padrão é uma rede, não uma cadeia. Não há hierarquia linear; há interdependência.
Capra escreve bem para divulgação. Faz o trabalho de traduzir Maturana (que é obscuro) e Prigogine (que é técnico) para linguagem acessível sem os trair. Nem sempre consegue. Há momentos em que a síntese apara arestas que os autores originais deixariam intactas. Mas como mapa introdutório de um território vasto, o livro funciona.
O percurso de Capra mostra uma coisa: a intuição de Tao of Physics não estava errada, estava verde. Vinte anos e muito estudo depois, The Web of Life diz algo parecido com mais rigor e menos deslumbramento.
