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Freguesias | Custóias

Custóias é apresentada como um território com ocupação muito antiga, mas com grande parte dos vestígios destruída pela expansão recente e pela extração de pedra no monte de S. Gens. O texto acompanha a passagem por estruturas megalíticas, castros, romanização, domínio medieval da Ordem do Hospital, devoção a Santiago e transformação económica e social nos séculos XIX e XX.

Fichamento
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  • Os vestígios mais antigos da ocupação humana quase desapareceram com a expansão demográfica e com o desmantelamento do monte de S. Gens.
  • No monte de S. Gens existiram monumentos megalíticos, chamados antas, antinhas, mamoas ou fornos dos mouros, ligados às primeiras comunidades de pastores-agricultores.
  • Em Custóias houve castros em Esposade e Matalto, e o monte de S. Gens também é referido como local de um castro.
  • A romanização alterou o território, e por Custóias passava a Via Veteris, que ligava a zona do Douro ao estuário do Ave.
  • Os primeiros documentos escritos do século X mostram uma terra agrícola, com grandes propriedades, moinhos, lagares e culturas como trigo, castanheiros, figueiras e vinhas.
  • No início do século XI, várias propriedades foram doadas a um pequeno mosteiro em Recaredi, com a finalidade de garantir orações pelas almas dos doadores.
  • Em 1045, propriedades, a Villa Custodias e as salinas da foz do Leça foram cedidas pelo abade Tudeildus a presbíteros e monges.
  • Entre 1122 e 1128, o mosteiro foi doado por D. Teresa à Ordem dos Cavaleiros de S. João de Jerusalém, e D. Afonso Henriques confirmou e ampliou a doação em 1140.
  • As inquirições de 1258 colocam Santiago de Custóias no Couto de Leça e referem Esposade como uma das povoações mais importantes.
  • A Via Veteris continuou a ser a principal ligação entre o Porto e a foz do Ave e tornou-se também caminho de peregrinos para Compostela.
  • A escolha de Santiago como padroeiro da freguesia é associada aos séculos XII e XIII e ao lugar de Esposade.
  • A lenda de Caio Carpo e Cláudia Lupa é usada para reforçar a antiguidade do culto e das peregrinações a Santiago na região.
  • O topónimo Custóias surge nos documentos medievais como Costoyas ou Custodias e é ligado à ideia de atalaia, guarda ou sentinela.
  • Em 1484, D. João II ordenou a instalação de uma atalaia em S. Gens para vigiar e avisar sobre navios hostis.
  • No século XVIII, Custóias tinha 403 habitantes e uma economia agrícola baseada no milho grosso, trigo e feijões, com a margem do Leça, as azenhas e a pesca a sustentarem a freguesia.
  • Nesse período foi construída uma nova igreja paroquial.
  • No século XIX, Custóias foi palco de episódios ligados às lutas entre absolutistas e liberais, incluindo a passagem do exército de D. Pedro IV e a presença de S. Gens como ponto estratégico.
  • A extinção das ordens religiosas em 1834 levou ao fim da ordem de Malta e do Couto de Leça, e Custóias foi integrada no concelho de Bouças em 1836.
  • A partir do século XX, a freguesia passou de uma base rural para uma realidade mais industrial, de serviços e residencial, acompanhando o crescimento da Área Metropolitana do Porto.