Fascismo como destino interno do neoliberalismo
00:01:56 — Fascismo global e neoliberalismo
O apresentador contextualiza o novo livro de Vladimir Safatle, afirmando que ele vê a emergência de líderes como Trump, Bolsonaro e Orbán não como metáfora, regressão ou corpo estranho, mas como fascismo que se constitui a partir da sociedade contemporânea. Essa leitura é aproximada das ideologias neoliberais — individualismo acirrado, competição e a ideia de que “não tem mundo para todos” — e rejeita explicações que atribuem o fenômeno apenas ao ressentimento de grupos prejudicados, apontando o próprio processo de modernização como podendo desdobrar-se em fascismo.
00:34:26 — Fascismo como espetáculo e destino interno do progresso
Líderes autoritários emergem do entretenimento (Trump na TV, Milei em auditório, Bolsonaro no humor) e usam a autoderrisão para controlar quando falam sério — no autoritarismo, quem manda define onde começa e termina a brincadeira, criando ambiguidade permanente (“foi só piada”). Safatle acrescenta que muitas vezes não se crê de fato; “finge-se acreditar”. E vai além: o fascismo não é “marcha-ré” da história — é uma possibilidade interna da modernização. Progresso e violência/devastação andaram sempre juntos, e o fascismo pode ser o resultado final desse processo, não um desvio.
