Fabíola Gomes e a antropologia do amor na Índia
00:03:17 — apresentação no podcast Vox
Fabíola Gomes é antropóloga brasileira, mestre e doutora em antropologia social pela Universidade de Brasília (UnB). O eixo de seu trabalho é a tensão entre tradição e modernidade — a fricção entre aquilo que as sociedades carregam de muito tempo atrás e o novo que as obriga a repensar comportamentos.
Pesquisa a Índia há mais de dez anos. A primeira ida foi em 2009, durante o mestrado, para estudar relações de gênero a partir do material do funk proibidão; depois retornou para um doutorado dedicado à prostituição — pesquisa que daria lugar, no episódio seguinte do podcast, ao trabalho de Natânia Lopes — mas o campo do doutorado dela mesma virou casamento e amor na Índia. Morou no país em diversos períodos, com estadias em pensionatos em Delhi, observando como globalização, internet e redes sociais reconfiguram hábitos tradicionais — em especial os ligados a amor, namoro e casamento.
No primeiro episódio de É Tudo Culpa da Cultura, Fabíola conduz o ouvinte do estranhamento etnográfico inicial — a pergunta recorrente “você se casou por amor ou foi arranjado?” — até a tese final: os jovens indianos não estão copiando o amor romântico ocidental nem o indivíduo moderno; estão inventando outras versões dos dois, a partir da combinação inédita entre o vocabulário holista da tradição e o vocabulário individualista importado.
