Etimologia de 覬 (Gei — Jì / gei3)
É o gei de 覬覦攻擊的橋樑 (“cobiçar a ponte de ataque”), expressão usada no trecho do Cham Kiu do Hai Tong por Grão-Mestre Moy Yat. 覬 forma com 覦 o par fixo 覬覦 gei yu (cobiçar; aspirar a tomar) — par lexical fixo do chinês clássico.
覬#
覬 — U+89AC · 部首 radical: 見 (jiàn, ver) · 總筆畫 strokes: 17 · 注音 zhuyin: ㄐㄧˋ · 拼音 pinyin: jì / jyutping: gei3
Definições#
MDBG: to covet; to long for (cobiçar; almejar).
CantoDict: gei3.
chardb Academia Sinica:
- 希望,企圖 (esperar; tentar/aspirar).
- 見 (ver).
- 垂 (pendurar; pender — sentido raro).
Decomposição e formas antigas (hanziyuan)#
Componentes: 見 (jiàn, “ver” — semântico) + 豈 (qǐ, “porventura/quão” — fonético + portador de sentido secundário). Significado original: cobiçar (ao ver). Decomposição: 見 (semântico) + 豈 (fonético). Variantes históricas: 幾 (geral antiga); 𩥉; 冀 (variante usada em escritos Han). Shuowen (hanziyuan): 𣢆𡴘也從見豈聲 (“é desejar/aspirar; do 見, fonético 豈”).
Shuowen Jiezi (via zdic.net — fallback)#
說文: 㰟𡴘也。从見豈聲。几利切 (“É desejar/aspirar (𣢆𡴘). Do 見, fonético 豈. Fanqie 几利.”)
段注 Duan Yucai (paráfrase via zdic.net): (覬)𣢆𡴘也。欠部𣢆下曰:𣢆,𡴘也。覬𣢆㬪韵。古多作幾,漢人或作𩥉,亦作冀。於从豋取意。豋下曰:欲也。从見豋聲。几利切。十五部 (“覬 é 𣢆𡴘 (aspirar/desejar). Sob o radical 欠: ‘𣢆 é 𡴘’. 覬 e 𣢆 formam par de rima (㬪韵). Antigamente escrevia-se 幾 (forma simples); na era Han, alguns escreviam 𩥉 ou 冀. O componente 豋 (variante de 豈) carrega o sentido ‘desejar’. Sob 豋: ‘豋 é 欲 (desejar)’. Do 見, fonético 豋. Fanqie 几利. Som antigo na 15ª divisão de rima.”)
A glose revela história gráfica complexa: o caractere 覬 é tardio; a forma antiga era simplesmente 幾 (também transcrita como 冀 em alguns textos Han). A semantização do componente 豈/豋 como “desejar” sustenta a leitura fonossemântica enriquecida.
Evolução de formas (xiaoxue yanbian)#
(xiaoxue não retornou atestações detalhadas — caractere de uso clássico, primeiro atestado no selo Han do Shuowen.)
Fonologia (xiaoxue shangguyin)#
中古音 Middle Chinese (Guangyun):
- 攝 Division: 止 Zhǐ · 韻 Rhyme: 至 zhì · 聲 Tone: 去 departing · 母 Initial: 見 jiàn
- 反切 Fanqie: 几利 jǐ-lì · 等 Grade: 三 third · 開合 Open/Closed: 開 open · 清濁: 全清 fully clear
上古音 Old Chinese: provavelmente *kreds no rhyme 微 wēi (cinco reconstruções não retornadas pela tabela xiaoxue para esta entrada).
國語 Mandarin IPA: tɕi.
Divergências entre fontes#
- Caractere quase exclusivo do par 覬覦: como 覦, 覬 raramente aparece sozinho no chinês moderno; é parte do par fixo 覬覦. A interdependência é estrutural, formando lexema unificado.
- Variantes históricas — 幾, 冀, 𩥉: o caractere 覬 é tardio. Na escrita pré-Han, o sentido “cobiçar” era expresso por 幾 (forma simples) ou 冀 (com o componente 北 de “norte”). O caractere 冀 ainda é usado modernamente (com o sentido “esperar/aspirar”; também é o nome abreviado da província de Hebei).
- Etimologia: ver e cobiçar: como 覦, 覬 tem 見 (ver) como radical — desejo dirigido pelo olhar. O par 覬覦 é redundante (ambos significam “cobiçar/aspirar”) porque o chinês clássico frequentemente duplica para enfatizar.
- 覬 e 冀 — quase sinônimos: a aproximação 覬 ≈ 冀 (esperar/aspirar) revela que o caractere carrega tanto a noção negativa (cobiçar com má intenção) quanto a neutra (esperar/aspirar). No par 覬覦, a leitura predominante é negativa: cobiçar para tomar. No uso isolado de 冀, a leitura é neutra.
- Cantonês: gei3 (tom 3 médio nivelado) preserva 去聲 全清 do Guangyun; com a inicial 見 (oclusiva surda velar) → g- jyutping. Forma estável.
- Aplicação ao Sistema Ving Tsun — 覬覦攻擊的橋樑: a expressão “cobiçar a ponte de ataque” no Cham Kiu refere-se ao gesto pelo qual o praticante espreita a estrutura do oponente como possibilidade de avanço. Bridge (橋樑 kiu leung) é o ponto de contato físico/estratégico entre os dois praticantes. Ao 覬覦 a ponte, o praticante observa-a como objeto de conquista — não passivamente, mas com vistas a tomar. A escolha de 覬覦 (composto fixo, em vez de 看 kàn ou 觀 guān) preserva a intenção marcial agressiva: a percepção é dirigida pela lógica do ataque iminente.
- Vantagem do par fixo: o uso de 覬覦 (em vez de qualquer uma das partes isoladas) é estilisticamente mais marcado e literário. O Hai Tong, ao usar o par fixo, inscreve-se na tradição literária clássica chinesa, em que duplas semânticas de força equivalente reforçam a precisão expressiva.
