Etimologia de Azar
Azar entrou no português pelo árabe az-zahr (الزهر), “o dado”, a peça de jogo (Wiktionary; Dicionário Etimológico). Do objeto veio o acaso. O que sai no lance não se controla, e o nome do dado passou a nomear a própria imprevisibilidade. Por um tempo a palavra guardou os dois lados da sorte; no português moderno fixou-se no lado ruim (Dicionário Etimológico).
A raiz árabe z-h-r quer dizer “brilhar, ser belo, florescer”, e dela veio também azahar, a flor branca da laranjeira que o espanhol ainda usa (Corominas). Circula a história de que os dados árabes teriam uma flor pintada na face de sorte, e que por isso o dado se chamaria “a flor”, mas Corominas não a endossa. Trata azar (acaso) e azahar (flor) como palavras distintas, que só coincidiram na forma, e registra que se evitava grafar a flor como azar “para huir de la homonimia con azar ‘casualidad’” (Corominas).
O Etymonline vai além e registra que derivar de az-zahr, “o dado”, é duvidoso pela ausência de zahr nos dicionários árabes clássicos, e traz a alternativa de Klein, o árabe yasara, “jogou dados”, com o -s- árabe passando regularmente a -z- no espanhol (Etymonline). O mesmo étimo seguiu para o francês hasard e o inglês hazard, que ficou com o sentido de risco (Wiktionary; Etymonline).
A mesma ideia aparece de outro ângulo na nota sobre luck is what happens when preparation meets opportunity, a frase que circula atribuída a Sêneca sem estar em sua obra. Ali a sorte é fabricada, o encontro do preparo com a oportunidade. Na origem de azar, “sorte” aparece ligada ao dado e ao lance, ao acaso do jogo.
