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🎙 Podcast

Estruturas que não mudam, casais que mudam

00:22:09 — Estruturas que não mudam, casais que mudam

Adriana faz uma distinção que recusa tanto a narrativa redentora quanto a denúncia chapada: no plano coletivo, esses casamentos transnacionais não desmontam um milímetro das hierarquias de gênero — a história dela própria com uma interlocutora em Fortaleza e a filha que reproduz o padrão da mãe é prova disso. Mas no plano individual, o amor e o desejo podem produzir relações domésticas mais igualitárias do que essas mulheres viveriam se tivessem casado com homens do seu próprio extrato social. Michel estende a categoria “ajuda” para fora do campo amoroso: todo ouvinte de classe média já ajudou empregada, porteiro, alguém do círculo — a ajuda é o lubrificante social que faz persistirem relações atravessadas por absurdos de poder, dinheiro, trajetórias e linguagens. Adriana concorda inteiramente, e essa concordância já prepara a próxima volta da conversa: ler a ajuda como variante moderna do clientelismo nordestino.