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Esta câmera era o terror dos fascistas

Julia Alekseyeva diz que o centro do livro é o antifascismo, não só porque os filmes tratam do fascismo histórico, mas porque cineastas da França e do Japão voltaram ao trauma da guerra, à cumplicidade social e à crítica das imagens para pensar política. Ela liga esses documentários a uma tradição transnacional que passa pela vanguarda soviética, por Vertov, Eisenstein e por práticas que usam a forma para desalienar o espectador.

Fichamento
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  • Os cineastas da década de 1960, em países como França e Japão, misturaram ficção, não ficção, surrealismo e neorrealismo para romper formas habituais de ver e pensar.
  • O livro lê esses documentários como obras antifascistas porque eles procuram desmascarar a mídia capitalista, imperialista e fascista em vez de impor uma verdade fechada.
  • A escolha do termo “antifascismo” vem do fato de que muitos desses artistas lidavam com culpa, memória reprimida e os efeitos da Segunda Guerra Mundial.
  • No Japão e na França, havia incômodo com a guerra, a ocupação, a descolonização e a continuidade de estruturas de poder depois de 1945.
  • A frase “tire o policial da sua cabeça” aparece como imagem ligada a maio de 1968 e a uma ideia de libertação psicológica que também é política.
  • A autora aproxima essa formulação de práticas abolicionistas, em que a libertação coletiva depende também de liberar a mente individual.
  • A União Soviética inicial é tratada como fonte decisiva para a vanguarda dos anos 1960, sobretudo pela montagem e pela ambição de transformar a percepção.
  • Vertov, Eisenstein e Kuleshov aparecem como referências para um cinema capaz de afetar o espectador e orientar essa energia para uma direção socialista.
  • A França e o Japão são os casos centrais porque permitem pensar cumplicidade, modernização, censura, nacionalismo e o estatuto do cinema de arte.
  • Os filmes analisados usam o documentário de forma subjetiva e fazem o próprio meio duvidar de seus dispositivos de “dizer a verdade”.
  • A autora insiste que forma e política não se separam nesses filmes: o estilo é parte do argumento político.
  • O surrealismo entra como modo de levar o espectador do familiar ao estranho e, assim, abrir espaço para outra consciência política.
  • O livro inclui Agnès Varda como figura importante e também critica a misoginia e o masculinismo presentes em parte do cinema japonês e em Godard.
  • O capítulo final sobre cinema japonês queer amplia a discussão de sexo e gênero com filmes que a autora considera adiantados para seu tempo.
  • Entre os filmes que ela recomenda estão O Encantador Mês de Maio, O Funeral das Rosas e A Hora dos Fornos.