Errare humanum est, perseverare diabolicum
Frase frequentemente atribuída a Sêneca em coletâneas modernas. Não localizada nas Epistulae, nos Dialogi, em De beneficiis, em De clementia nem nas tragédias. A atribuição parece derivar do hábito de imputar a Sêneca qualquer máxima latina concisa de teor moral.
A formulação clássica do pensamento é de Cícero, Philippicae XII.5: “Cuiusvis hominis est errare; nullius nisi insipientis perseverare in errore” — é próprio de qualquer homem errar; mas só do insensato é perseverar no erro. O discurso foi pronunciado em 43 a.C., parte da campanha oratória contra Marco Antônio.
A forma compacta latina “errare humanum est” e sua expansão “perseverare diabolicum” são cunhagens posteriores. A primeira aparece com clareza em São Jerônimo (séc. IV d.C.); a segunda, com a polaridade humano/diabólico, é cristã medieval — atribuída por algumas tradições a Santo Agostinho, mas sem localização nos textos agostinianos. A formulação tal como circula hoje é provavelmente um proverbium sapiencial composto entre os séculos IV e XIII a partir do núcleo ciceroniano.
