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❝ Citação

Olha as estrelas. Enquanto elas brilharem haverá esperança na vida

A frase pertence ao mesmo romance de 1938 e ecoa a personagem de Olívia, que opera como contraponto ético à ambição de Eugênio. Vincular esperança ao brilho das estrelas é um gesto antigo da tradição lírica, mas Veríssimo formula o vínculo de modo tautológico: a esperança dura enquanto durar o brilho. A condicional protege a frase contra leituras voluntaristas, ela não diz “tenha esperança”, diz que a esperança existe porque algo continua a brilhar.

O efeito é cosmológico. Em 1938, no Brasil do Estado Novo, com a Segunda Guerra a caminho, ancorar a esperança na permanência das estrelas era uma forma de afirmar que os horizontes humanos não são os únicos. As estrelas brilham independentemente da política, da doença, da pobreza, e o brilho é portanto uma garantia mínima, irredutível.

A frase circula no Brasil como cartão postal e adesivo de para-choque, despida da cena. No romance, ela aparece na rede de cartas e diálogos que Eugênio relê depois da morte de Olívia, e seu peso vem desse luto subjacente. Quem diz “olha as estrelas” o faz para alguém em risco de não conseguir mais olhar.