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Sei que não sou, nunca fui um writer's writer

“Writer’s writer” é expressão inglesa usada para designar o escritor que outros escritores admiram, geralmente porque seu trabalho explora possibilidades formais que escapam ao leitor médio. Henry James, James Joyce, Vladimir Nabokov são exemplos canônicos. Borges, no Brasil, era considerado um writer’s writer pelas oficinas de literatura comparada. Guimarães Rosa, contemporâneo de Veríssimo, assumia essa vocação experimental.

Veríssimo, em 1967, declara explicitamente o oposto. Ele se reconhece como autor de público amplo, vendido em bancas, traduzido em muitos idiomas, lido em escolas e em cafés. A frase recusa o prestígio das vanguardas e reivindica a legitimidade do romancista popular. A afirmação é sóbria, sem ressentimento, sem polêmica direta com Rosa ou com Clarice Lispector, e capta com precisão o tipo de escrita que Veríssimo praticou.

A diferença importa para a história literária brasileira. Os anos 1950 e 1960 viram ascender uma crítica universitária que privilegiava a experimentação formal — Antonio Candido, José Guilherme Merquior, Roberto Schwarz — e tendia a colocar Veríssimo em segundo plano em relação a Rosa e Lispector. A reavaliação de Veríssimo só viria nos anos 1980 e 1990, quando o critério de “writer’s writer” deixou de ser o único parâmetro de qualidade. A frase de 1967 antecipava, em tom de constatação, o lugar institucional que a obra ocuparia depois.