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❝ Citação

Procurar a nossa felicidade através da felicidade dos outros

A frase aparece em carta de Olívia, que no romance funciona como conjunto de cápsulas éticas que Eugênio relê depois da morte dela. “Procurar a nossa felicidade através da felicidade dos outros” reformula o problema da felicidade ao deslocar o objeto: a felicidade alheia retorna ao sujeito como seu próprio bem, em circuito indireto que dispensa a busca direta da satisfação pessoal.

A tese tem genealogia utilitarista — Bentham, Stuart Mill — mas Veríssimo não está propondo cálculo de utilidade agregada. A formulação é mais próxima de uma certa tradição cristã do amor ao próximo, em que o próprio bem se realiza no bem do outro. Há também ressonância com o “viver para o próximo” da literatura russa do século XIX, que Veríssimo lia, e com o evangelho social que a tradição protestante norte-americana praticou nas primeiras décadas do século XX.

A frase combina com o título do livro. Os lírios do campo, que não fiam, são vestidos pela providência. A pessoa que procura a felicidade do outro recebe a sua de retorno, sem ter que persegui-la diretamente. O paradoxo é o mesmo: a felicidade que se abandona é a que se encontra, e a que se persegue é a que escapa. Eugênio, no romance, demora a entender a frase porque está empenhado na ascensão pessoal, e só a entende quando é tarde.